domingo, 3 de julho de 2011

Veja dicas sobre como organizar seu tempo na hora de fazer a prova.

Melhor é começar pela disciplina mais fácil para o candidato no concurso.

Detalhes como escolha do lugar onde se sentará podem fazer diferença.

Lia Salgado* Especial para o G1

A postura na hora da prova pode fazer muito pelo candidato em um concurso. Até a escolha do lugar onde se sentará pode fazer diferença. Se as carteiras não estiverem pré-definidas para cada inscrito, é bom observar alguns detalhes: se bate sol, onde está o ventilador ou a direção do ar-condicionado.

Mesmo antes do exame, alguns procedimentos ajudam a dar segurança no momento em que o relógio começa a correr. É importante verificar com antecedência a documentação que deve ser levada –conferir no edital o que é ou não aceito como identificação- e o material a ser utilizado. É válido levar água e algo para comer durante a prova.

É bom lembrar que a sala onde ocorrerá o concurso pode estar muito fria ou muito quente, apesar da temperatura do dia. A alimentação antes do exame deve ser leve e saudável e é muito importante sair de casa com antecedência suficiente para chegar cedo ao local do concurso, contando com eventuais imprevistos no caminho.

Já em sala, deve-se estar atento às orientações dadas pelos fiscais, que deverão ser rigorosamente cumpridas. Quando for autorizado, proceda à leitura cuidadosa das instruções contidas no caderno de prova.

A estratégia para responder às questões também deve ser definida com antecedência, com base nas informações do edital quanto ao número de questões, disciplinas agrupadas, mínimo de pontos para aprovação e duração da prova. A partir disso e do conhecimento específico em cada assunto, o candidato vai determinar a ordem de matérias mais favorável e o tempo a ser gasto em cada disciplina ou grupo.

Primeiros minutos e o "branco"
O início da prova é momento de muito nervosismo. Assim, costuma ser mais produtivo começar por uma matéria que o candidato domine bem, a fim de dar tempo para passar o “pico de adrenalina” sem que se crie a impressão de que a prova está mais difícil do que na verdade está.

É preciso, também, não deixar disciplinas que exigem longas leituras –como português- muito para o fim, quando o cansaço mental tende a ser maior. Alternar questões de exatas com as de leitura pode ser interessante, porque são solicitadas áreas distintas do cérebro.

É na hora de começar a prova que pode acontecer o temido “branco”, que pode ser bastante minimizado se conseguir se tranquilizar um pouco: algumas inspirações e expirações mais profundas e lentas ajudam a recuperar o equilíbrio. Na verdade, o candidato não esqueceu as informações – elas estão ali, mas o estresse excessivo faz com que não sejam acessadas.

E se não souber uma resposta?
A duração da prova é a mesma para todos, mas quem sabe tirar o melhor proveito dos minutos conquista grande vantagem. A leitura de cada questão deve ser atenta e concentrada, tanto do enunciado, quanto de todas as alternativas. Caso contrário, há o risco de o candidato assinalar precipitadamente uma opção que parecia correta, deixando de considerar algum detalhe.

Por outro lado, se após a leitura o candidato não tiver certeza da alternativa a ser marcada, não deve gastar mais tempo tentando descobrir naquele momento. Deve anotar as informações importantes ao lado da questão e seguir para a próxima.

Chegando ao fim, retorna-se à primeira matéria para resolver as questões que ainda não estão assinaladas. O cuidado, aí, é não gastar tempo relendo o que já estava decidido. Corre-se o risco de apagar uma marcação correta e substituí-la por uma errada, além de desperdiçar tempo que deveria ser dedicado às questões ainda não assinaladas.

Seguindo esse processo, as perguntas mais difíceis e/ou trabalhosas ficarão para o final e as de solução mais simples e rápida serão resolvidas de imediato. Com esse cuidado, é possível garantir o máximo de pontos, com o mínimo de tempo, em todas as disciplinas. E ainda sobra tempo para dedicar às questões realmente mais complexas, com a tranquilidade de que todo o resto está feito.

Hora certa da pausa
Muitas vezes, aproveitar o momento entre a primeira rodada de matérias e a segunda para ir ao banheiro é bastante proveitoso. Além de eliminar qualquer possível desconforto, o fato de o candidato retirar-se do ambiente da prova ajuda a "clarear" a mente e a ter uma visão melhor das questões no retorno.

Se houver uma parte discursiva, é interessante tentar fazer o esboço da mesma logo após a primeira rodada na prova objetiva. Se, além da estrutura, o candidato conseguir desenvolver a dissertação, melhor ainda –já deixa o rascunho pronto. Caso contrário, pode ser melhor retornar à parte objetiva, para não perder tempo, lembrando de voltar para concluir a parte discursiva e passar a limpo.

O cartão-resposta deve ser marcado ao final de tudo, com calma e atenção, uma questão por vez, reservando-se algo em torno de 15 a 30 minutos para isso, conforme o número de questões.

No dia da prova, o mais importante é manter a serenidade, haja o que houver. De nada adianta ficar lamentando não ter estudado um ou outro ponto. Nem se desestabilizar caso surja algum assunto nunca visto. Também é essencial estar concentrado e procurar se abstrair de todo o resto: há casos de barulho na vizinhança, gente na sala com cacoetes ruidosos e nada disso pode tirar a concentração do candidato.

Além de tudo, é sempre bom lembrar que, por melhor que seja o concurso, sempre haverá outro. O candidato deve fazer o melhor que puder e aguardar os resultados. Caso não seja aprovado, deve retomar a preparação, procurando corrigir os erros cometidos anteriormente.

* Lia Salgado, fiscal de rendas do município do Rio de Janeiro, é consultora em concursos públicos e autora do livro “Como vencer a maratona dos concursos públicos”

Cobrança em ser aprovado leva cada vez mais concurseiros à depressão.

29/03/2011 11:35

Do CorreioWeb

Imagine a cena: você decide virar concurseiro (quero estabilidade, bom salário e todos os benefícios que um servidor tem direito). Você se matricula em um cursinho preparatório (vou estudar sério, obedecer a uma rotina e largar a "cervejinha" dos fins de semana). Já na primeira seleção, você dá de cara com mais de duzentos candidatos por vaga (estou preparado, estudei muito e, afinal, preciso só de uma chance). Infelizmente, você não é aprovado, mas persiste. E persiste. E nada de aprovação. A jornada diária de trabalho e estudos, as poucas vagas, a grande concorrência, a pressão familiar... tudo parece desmoronar. Triste, não? E não é só força de expressão. A cada dia mais cresce o número de candidatos em consultórios de psiquiatras e psicólogos, compartilhando o mesmo problema: a depressão.

Raquel Pimentel dos Santos conhece bem esse ciclo. Hoje, a técnica administrativa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal conta como trilhou um caminho árduo para enfim ser tornar servidora. "Ser concurseiro é ser multifacetado. Você trabalha, estuda e ainda tem que cuidar dos filhos. A pressão para ser perfeita em cada uma dessas tarefas é grande e o resultado é o estresse, a mudança de humor, a hipertensão, os choros constantes, o isolamento e, principalmente, o sentimento de culpa", desabafa.

A depressão também faz parte da vida de Maria Silva*. Em 2008, ela participou do concurso da Agência Nacional de Transportes Terrestres e conseguiu ficar em quarto lugar - foram oferecidas apenas duas vagas efetivas para o cargo de especialista em regulação. Quase dois anos se passaram e ela já havia esquecido o certame, quando no final de 2010 o órgão enviou um e-mail informado que ela deveria enviar o currículo, porque logo seria chamada para o curso de formação. A alegria de Maria durou pouco, pois em seguida a ANTT enviou outro recado cancelando as informações passadas anteriormente. "Já tinha predisposição para depressão. Depois disso não parei mais de chorar, tive que procurar a ajuda de um psiquiatra e venho tomando uma série de antidepressivos. Agora estou me recuperando e vou tentar retomar os estudos esse ano - já que durante todo esse tempo tive dificuldades de concentração e aversão a qualquer coisa que me lembrasse concursos".

A história não é diferente com André G., que há cerca de quatro anos se inscreveu no certame do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul. De acordo com o concurseiro, ele acertou 69 das 70 questões da prova e a nomeação já era certa. Acontece que, ao sair da sala de aplicação dos testes, ele soube de irregularidades que ocorreram e o concurso acabou sendo cancelado. "Entrei em depressão a ponto de não conseguir pegar nos livros por dois meses, sem falar que ganhei cerca de 20kg. Aos poucos fui retomando a rotina de estudos, mas o meu rendimento despencou. Estava tão afetado que cheguei a ponto de ir ao Piauí fazer uma prova, ir até a porta da sala e desistir por não me achar preparado. O meio dos concursos é cruel, você tem que ser simplesmente o melhor, não tem espaço para o segundo lugar", lamenta.

De acordo com o psicólogo Fábio Calo, atualmente é muito comum estudantes apresentarem depressão devido ao grande contingente de pessoas que alimentam o sonho de ser servidor. "O concurseiro abre mão de muitos prazeres que dão equilíbrio à vida, como o convívio com a família, as saídas de fim de semana, as viagens... tudo para se dedicar aos estudos e isso acaba afetando seu rendimento. A depressão por vezes é o resultado de muita pressão. Nesses casos, a ajuda profissional é sempre bem vinda e o psicólogo é o especialista mais indicado. Seu trabalho irá consistir principalmente em motivar o paciente a continuar numa rotina eficiente de estudos em busca da aprovação".

Segundo Calo, os sintomas mais comuns entre os concurseiros depressivos são a queda na quantidade de tempo dedicado e na qualidade dos estudos, a dificuldade de concentração, a prática de atividades que os desviam dos estudos, as alterações no sono e na alimentação, a desesperança e a desistência.

Dentre as ações que são desenvolvidas pelo psicólogo estão as de esclarecer os objetivos individuais que levaram o concurseiro a querer ser um servidor - já que com a árdua rotina de estudos isso muitas vezes acaba sendo esquecido-; fazer com que ele enxergue e valorize as boas perspectivas que se concretizarão após a aprovação, como a melhora da qualidade de vida adquirida por meio da estabilidade financeira, emocional e familiar; e investigar se a pessoa possui outras patologias que atrapalham os estudos e contribuem para a evolução do quadro depressivo, como déficit de atenção e/ou transtorno de ansiedade.

Para evitar a doença, o recomendado é o equilíbrio. Em meio à disciplina e à dedicação aos estudos, não se esqueça de tirar um dia da semana para descansar a mente com leituras mais leves, não deixe de praticar algum tipo de atividade física e se relacionar com a família e encontre prazer na rotina de estudos. Essas são atitudes de equilíbrio que certamente contribuirão para amenizar as tensões da maratona de preparação e farão com que você, concurseiro, não desista do sonho do serviço público.

*Nome fictício.